Vendas de bebida alcoólica via delivery e internet disparam

Sem mesas de bares e de restaurantes para se reunir e pedir a cerveja gelada ou o vinho para acompanhar um bom prato, os consumidores em isolamento social se concentram em pedir mais uma pela internet. Ecommerces e deliveries de bebida registram em tempos de coronavírus um aumento de até 50% na demanda.

O número de pedidos na Evino subiu 20% entre fevereiro e março em relação ao mesmo período de 2019, diz Ari Gorenstein, vice-presidente do ecommerce. A Evino empresa registrou aumento de 72% no número de novos clientes.

“Estamos numa situação privilegiada. Se aumentou o consumo em casa, foi pela supressão dos outros setores, como os supermercados”, afirma o executivo.

“Entendemos que, passado o auge [das compras em casa], esse hábito vai seguir, e vamos ter um retorno de fidelização”, explica.

Os relatos de aumento em casa são um fenômeno global e começam a preocupar as autoridades na área de saúde. Na quarta-feira (15), a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou que governos deveriam limitar a venda de bebidas alcoólicas durante as quarentenas.

Segundo a entidade, o álcool reduz a imunidade, e seu consumo excessivo pode prejudicar a saúde física e mental e elevar o risco de violência doméstica durante confinamentos.

Outra mudança que observaram no Bebida na Porta foi o comportamento no horário dos pedidos. Antes, eram mais frequentes à noite e no começo da madrugada. Nas últimas semanas, começaram a ter picos no fim da tarde até o começo da noite.

A expectativa é que pedidos online podem ganhar um novo espaço quando a quarentena acabar. “O isolamento mostra que é prático e em conta pedir bebida em casa”, diz Gordon.

De acordo com a pesquisa da Abrabe encomendada à KPMG no fim de 2019, 61% do consumo de bebidas alcoólicas acontecia em locais de convívio social, com bares, baladas e restaurantes.

O impacto no setor de bebidas gerado pelo novo coronavírus será parecido ao que aconteceu em 2016, avalia Angélica Salado, gerente de pesquisa da Euromonitor.

Entre 2015 e 2017, o país passava por uma crise econômica, e o consumo de bebidas foi deslocado das mesas de bares para dentro das casas com o objetivo de aliviar as contas no fim do mês.

No entanto, naquela época, mesmo com a mudança no perfil de consumo, ainda era possível ir a bares e restaurantes, diz Salado. “O consumo dentro de casa que estamos tendo hoje não é o suficiente para suportar o impacto do vírus”, conta.

Para a gerente de pesquisa, pequenas empresas de bebidas podem não sobreviver, enquanto as de grande porte devem acompanhar a demanda dos consumidores e apostar na produção de rótulos que são mais requisitados para superar a crise. “Também é necessário uma boa estratégia digital, voltada para o ecommerce e para o delivery”, diz.

Fonte: Folhapress